A História do livro.

Será que nesse mundo onde as pessoas estão tão obcecadas em obter "curtidas" em suas ações cotidianas, onde a avalanche de informações nos torna cada vez mais desinformados e onde as pessoas não parecem mais querer ter tempo para a reflexão o livro ainda desempenha algum papel? Sem dúvida essa é uma questão a ser pensada.

Porém hoje estou querendo não discutir o hoje e o futuro do livro, mas sim apresentar um pouco de sua história. Afinal conhecer a história de algo pode nos ajudar a compreender os motivos que o levaram a ser como ele é neste momento. Assim, vamos conhecer um pouco mais de história.

O livro tem aproximadamente seis mil anos de história para ser contada. Desde que o homem passou a ter “mais tempo”, principalmente após a criação das primeiras cidades, ele utilizou os mais diferentes tipos de materiais para registrar a sua passagem pelo planeta e para difundir seus conhecimentos, explicações e experiências.

Os sumérios que viveram no extremo sul da Mesopotâmia entre os rios Tigre e Eufrates (área onde posteriormente se desenvolveu a civilização Babilônica e que hoje corresponde ao sul do Iraque, entre Bagdá e o Golfo Pérsico), guardavam suas informações em tijolos de barro, usando uma escrita que entrou para a história com o nome de cuneiforme. 



Tábua de argila co escrita cuneiforme.


Já os indianos faziam seus livros em folhas de palmeiras. Com os maias e os astecas, antes do descobrimento das Américas, os livros eram produzidos em um formato de “sanfona” e escritos em um material macio existente entre a casca das árvores e a madeira. No império romano, a escrita era feita em tábuas de madeira cobertas com cera. Mas, talvez a mais famosa forma de escrita desenvolvida antes do livro, como conhecemos hoje, tenha sido a dos egípcios, que desenvolveram a tecnologia do papiro, uma planta encontrada às margens do rio Nilo. Com esta técnica foi possível criar rolos com manuscritos que podiam chegar a mais de 20 metros de comprimento! Imagine se você hoje estivesse lendo esse texto em um rolo que precisasse ser desenrolado lentamente para ser lido, seria no mínimo estranho para o nosso atual estágio de desenvolvimento. Mas foi a partir deste modelo que surgiram os pergaminhos, rolos de textos feitos com peles de carneiros. Técnica esta que, mais tarde, possibilitou que na Europa medieval se desenvolvesse o modelo do livro como conhecemos hoje.





Curiosidade: Alguns pergaminhos, durante a Idade Média, tinham o texto eliminado (apagado) para permitir a reutilização. Esta prática foi adotada devido ao elevado custo do pergaminho naquele momento. A eliminação do texto era feita através de lavagem ou raspagem do mesmo. Infelizmente essa prática levou ao desaparecimento de inúmeras obras de pensadores pré-cristãos que naquele momento, pela influência da Igreja Católica, eram considerados por vezes heréticos. Hoje a nossa atual tecnologia tem tentado recuperar alguns destes textos antigos “raspados”. Caso tenha interesse em ler uma obra interessantíssima sobre o assunto, eu indico: O Codex Arquimedes.

Mas voltando a história do livro, podemos dizer que ele vai realmente se popularizar com o final da Idade média e início da época Moderna. Nesta época um homem chamado Johann Gutenberg vai aperfeiçoar a tipografia, a impressão em papel. Papel este que havia surgido na China no início do século II. Então em 1450 foi impresso o primeiro exemplar em uma prensa na Europa, uma Bíblia. Note que esse processo de impressão não foi uma invenção de Gutenberg, mas sim um aperfeiçoamento de algo que já existia na Ásia. Nascia então para os europeus o “livro impresso” que revolucionaria o mundo até os dias de hoje.











Mas como você bem sabe o livro impresso não foi a última forma que adotamos na comunicação escrita. Desde a metade do século XX, principalmente no final deste e início do século XXI, o homem tem inventado novas formas de se comunicar. Sentado em frente ao seu monitor, ou curvado para o seu celular, você pode perceber uma delas, afinal, você não está manuseando um livro para ler este texto, pois ele foi escrito e veiculado em uma nova mídia: a digital. 

Mas não paramos neste ponto, recentemente empresas têm lançado e popularizado o que muitos acham que será o substituto “definitivo” do modelo “livro de papel”: o celular/tablet. Ele é como uma tela de computador, em formato de prancheta, que você pode levar onde quiser, acessando textos sem a necessidade de mouse ou de teclado ! Aqui o engraçado é que a nossa mais nova “tecnologia livro” se pareça tanto com uma das primeiras que criamos, as tábuas de argila com escrita cuneiforme. Parece que rodamos e rodamos e acabamos caindo “mesmo lugar”!





Ps.: E para os apaixonados nas novas tecnologias se preparem para a tela dobrável. É o papiro ganhando nova vida!

Copyright© 2010-2017 HISTOSOFIA - modelo por Jason Morrow